MENSAGEM DO PRESIDENTE

MANUEL

TALHINHAS

Lisboa, 18 de fevereiro de 2020

Discurso de Tomada de Posse dos Órgãos Sociais para o Biénio 2020-2022

A APJF foi fundada em 1989 com o desígnio de poder contribuir para a afirmação dos jovens farmacêuticos, dos seus ideais e conhecimento, na Sociedade. Hoje, a nova equipa que assume funções, pretende renovar esse compromisso.

Unir os jovens farmacêuticos, em prol da sociedade.

Estamos cientes de que este é um caminho que não se trilha sozinho. Desde logo, porque precisamos de uma estrutura forte, dinâmica e capaz de mobilizar os seus elementos para este objetivo. Esta será uma das nossas grandes prioridades.

Queremos que a APJF seja cada vez mais um pólo agregador das diferentes gerações de jovens farmacêuticos que, nela veem uma mais-valia enquanto meio organizado para pugnar pela sua visão e opinião junto dos diferentes fóruns, entidades representantes e reguladoras do setor e também em todas as vertentes da sociedade, nacional e internacionalmente.

Não se trata de um caminho mutuamente exclusivo, somos e seremos uma geração sinérgica!

Acreditamos que as gerações mais jovens têm uma responsabilidade acrescida, assim nos mostra a História. Todas diferentes, no contexto em que se inserem foram capazes de, à sua maneira, defender pelos seus ideais e, com isto, trazer a mudança ao mundo. Nós não somos, nem seremos diferentes, e a letargia não nos poderá definir. Em particular porque não podemos ficar presos à ideia de que tudo é garantido e que vivemos momentos pouco conturbados. A tecnologia e o mundo digital atingiram uma dimensão altamente complexa e uma rapidez difícil de acompanhar, o que torna o perigo da falta de ética não menos eminente do que no passado.

É por isso que reconhecemos a experiência dos mais velhos e queremos preservar os valores históricos da nossa profissão, levando a nossa responsabilidade enquanto fator de equilíbrio social muito a sério. Sabemos que numa classe em que mais de quarenta por cento dos seus membros têm menos de trinta e cinco anos o confronto geracional inevitável, sendo, por isso, impreterível retirar os melhores resultados desta realidade.

Para esse desafio e para todos os restantes dizemos presente!

Queremos, porém, ser também proativos a propor novos destinos e rumos para a nossa profissão e, consequentemente para o sistema de saúde e para a saúde pública. Estaremos à altura e na primeira linha para compreender as mudanças e antecipar as melhores decisões que nos ajudem não só a salvaguardar os interesses das atuais gerações, mas também das futuras. Da mesma forma que não abdicamos da ousadia característica dos jovens para quebrar o status quo, também não abdicaremos dessa responsabilidade.

Juntos com os outros jovens profissionais de saúde, prepararemos o futuro do bem-estar da população!

Um futuro que se faz num mundo diverso, exigente e cada vez mais complexo. Por isso, é determinante continuarmos a colocar as nossas capacidades, competências, experiência e conhecimento à disposição dos outros. Queremos assim, continuar a imprimir na juventude de profissionais de saúde, em particular dos jovens farmacêuticos, o espírito aberto de permanente desenvolvimento profissional e interpessoal, compreendendo que o sucesso do seu trabalho é o sucesso da equipa multidisciplinar em que se insere e o benefício que aporta à comunidade.

As nossas metas para este mandato estão traçadas e foram essas que colocámos ao sufrágio que democraticamente nos elegeu enquanto representantes dos jovens farmacêuticos portugueses.

O nosso plano para a APJF será alicerçado em quatro dimensões essenciais que a prepararão para corresponder aos desafios que elencámos.

A nível político, em que assumimos a responsabilidade de consolidar uma voz jovem, una e que crie condições para que os Jovens Farmacêuticos se assumam como futuros líderes e decisores.

É nossa missão dar voz às preocupações e motivações de uma geração que tem o condão de trazer ambição renovada e uma vaga de inovação para um setor em constante mudança.

Para tal, despertaremos todos os colegas para os desafios da classe profissional e do sistema de saúde, criando momentos de reflexão conjunta que irão potenciar o fortalecimento de ideias, gerar consensos e criar valor para as posições que apresentaremos. Temos como objetivo desenvolver um conjunto de propostas para a década, suportadas por uma ampla reflexão entre jovens farmacêuticos e os seus pares, que possa refletir a visão futurista e influenciar as agendas políticas dos próximos dez anos.

Contribuiremos ainda para o desenvolvimento e divulgação de medidas que se coadunem com os interesses e necessidades dos jovens farmacêuticos. Bem como teremos uma estratégia de permanente contribuição para a literacia em política dos jovens farmacêuticos, desenvolvendo as suas capacidades e competências neste âmbito.
Por outro lado, queremos posicionar a APJF e os jovens farmacêuticos portugueses como voz liderante não só a nível nacional, mas também a nível internacional.

Entendemos que num mundo global, as fronteiras são meras linhas administrativas, que não impedem que os desafios da saúde sejam transversais aos diferentes povos. Como tal, a sua resolução implica esforços conjuntos que apenas serão sucedidos se acompanhados da nossa capacidade histórica de disseminar o conhecimento pelo mundo e da avidez de com os outros resolver os desafios da saúde global.

Por isso, não poderíamos ficar indiferentes ao repto lançado pelo Congresso Mundial dos Farmacêuticos de Língua Portuguesa e pelo Congresso Nacional dos Farmacêuticos 2020, reunião magna de farmacêuticos, que em maio, na cidade de Lisboa, pretende discutir além fronteiras os desafios globais da saúde na próxima década entre farmacêuticos portugueses e os farmacêuticos de língua portuguesa espalhados pelo mundo.

Não nos esquecemos que lá fora, além fronteiras, existem farmacêuticos portugueses que mesmo longe, estão dispostos a connosco fazer este caminho!

Compreendemos que não sendo um fenómeno novo, a recente crise económica gerou uma onda de emigração que levou a que uma porção significativa de jovens farmacêuticos formados recentemente nas nossas Instituições de Ensino Superior emigrasse e que a sua profissão os afastasse fisicamente de Portugal.

Ainda assim, continuamos a ter um compromisso para com eles e eles para com o nosso país. Vemos, nessa emigração também uma oportunidade, da qual queremos tirar o maior partido possível, reforçando os laços entre os que cá ficaram e a diáspora farmacêutica portuguesa de jovens que se encontram na Europa e no Mundo.

Queremos também reforçar a ligação que a APJF tem com o Young Pharmacist Group da Federação Internacional de Farmacêuticos e com as organizações congéneres ou de juventude internacionais.

Desde logo, capitalizaremos a localização próxima do Congresso Internacional dos Farmacêuticos e Ciências Farmacêuticas em 2020, na cidade de Sevilha, para mobilizar os jovens farmacêuticos para a sua participação massiva e apoiando esta delegação. Faremos iguais esforços para participar em fóruns internacionais que se revelem de interesse para os jovens farmacêuticos portugueses, não só para a partilha da sua visão, mas também para a recolha de informação relevante no desenvolvimento da sua estratégia nacional.

Num mercado de trabalho cada vez mais exigente, seremos ainda um vetor de informação e promoção de oferta formativa que contribua para o desenvolvimento profissional contínuo pós-graduado.

A nível formativo, a APJF será promotora da divulgação e compilação de formação relevante que contribua para a constante atualização dos conhecimentos. Tirando o máximo partido da oferta existente nas Instituições de Ensino Superior e demais entidades formativas, trabalharemos também para identificar as lacunas existentes e propor ou desenvolver essas ofertas formativas. Pretendemos alargar os horizontes, porque acreditamos que o desenvolvimento das nossas competências reverte sempre em melhores resultados e, portanto, maior realização profissional e pessoal.

É por isso que fortaleceremos a ligação às Faculdades em que se lecciona o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, aos Colégios de Especialidade, Grupos Profissionais e Núcleos da Ordem dos Farmacêuticos seremos ainda veículo na transmissão de conteúdos digitais e webinars promovidos pela APJF que se revelem do interesse em particular dos jovens farmacêuticos; manteremos ainda o espírito aberto de permanente desenvolvimento profissional e interpessoal, ao dinamizar o nosso projeto de mentoring que permita a partilha de experiências entre profissionais de diferentes gerações.

Como jovens que somos, reconhecemos o poder da comunicação e do mundo digital, assim como o seu impacto na efetividade da nossa missão.

Traçámos, pois, uma nova visão para a forma como a APJF comunica, quer a nível interno, com os seus sócios, quer a nível externo com os seus parceiros e com a comunidade. Queremos garantir uma visibilidade e exposição da APJF, que lhe permita veicular as suas mensagens e iniciativas de uma forma coerente e mobilizadora.

Aproveitando a aptidão inerente das novas gerações, criaremos um ecossistema digital que permita catapultar a capacidade de discussão e reflexão, promotora do contributo dos jovens farmacêuticos onde quer que estes se encontrem, nas mais diversas matérias e áreas de intervenção da Associação.

São prioridades que não se esgotam na sua essência e que acreditamos serem determinantes para motivar mais colegas para a Associação e para a profissão.

Com todos eles, estaremos mais preparados para enfrentar os desafios que o futuro nos reserva, mas também para ser um suporte ativo das entidades do setor que, e bem, alinham os interesses da sociedade acima dos seus interesses corporativos. Acreditamos que o diálogo social entre os nossos pares é a chave do sucesso e é nele que estaremos empenhados nos próximos dois anos de mandato.

Queremos posicionar a nossa Associação num patamar elevado de credibilidade, onde para além de respeitado o nosso contributo nos temas em discussão, as nossas opiniões e propostas sejam valorizadas.

Só desta forma depende a vitalidade da nossa intervenção, mas também a consequência das nossas iniciativas e a razão de ser da APJF.

Os últimos anos, ainda que difíceis, foram pródigos a mostrar-nos que juntos podemos alcançar grandes feitos. Sucessos alcançados que os jovens farmacêuticos valorizam e pelos quais são sinceramente gratos, por reconhecerem serem determinantes para o futuro da profissão e, acima de tudo, para continuar a potenciar o nosso desenvolvimento e a colocar as nossas melhores capacidades em prol da sociedade.

A este respeito não posso deixar de destacar a luta de mais de duas décadas que, em 2017, permitiu ver reconstituída a Carreira Farmacêutica. Facto determinante que criou condições para que os farmacêuticos pudessem dispor de um percurso comum de progressão profissional e de diferenciação técnico-científica, vendo reconhecido o seu perfil próprio de competências.

Uma caminhada que só agora, em janeiro de 2020, viu o último ato legislativo do processo de autonomização da Carreira, ao ser publicada a regulamentação da Residência Farmacêutica, motivo pelo qual saúdo e endereço uma mensagem de apreço e consideração à Senhora Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos.

Estamos conscientes da importância desta conquista e, como tal, não só queremos preservá-la como também permitir que ela atinja a sua plenitude e constitua uma verdadeira ferramenta de desenvolvimento profissional dos jovens farmacêuticos que a integrarem. Sabemos que muito existe para fazer e que a sua aprovação marca o início de algo muito maior que será determinante para a afirmação e dignificação da profissão Farmacêutica.


Dignificação que pretendemos que seja transversal em todas as áreas de atuação.

Estamos empenhados em continuar a acompanhar a realidade do mercado laboral e a pugnar pela valorização do ato farmacêutico em todos os seus contextos. Para tal, não podemos continuar a aceitar condições de trabalho que não se coadunem com as capacidades técnicas e científicas que nos distinguem à saída das Faculdades, nem ao longo do nosso percurso profissional.

Com a humildade que nos define, temos de ultrapassar os receios de demonstrar as nossas capacidades e de, com isso, fazer valorizar as responsabilidades e funções que assumimos. O nosso trabalho pode e deve ser recompensado em proporção à exigência que lhe é conferida. Só desta forma nos sentiremos realizados profissionalmente e conseguiremos dia após dia ter a autoestima necessária para colocar o melhor de nós ao serviço das pessoas.

As nossas capacidades permitem-nos assumir responsabilidades em muitas e diferentes áreas, das mais clássicas, às mais disruptivas. Esta é uma força da nossa profissão.

A formação de “banda-larga” que recebemos é um fator chave para que possamos expandir os nossos horizontes de atuação e encontremos, hoje, jovens farmacêuticos a desempenhar funções nunca imagináveis. Trazê-los para o seio da sua profissão, compreendendo a especificidade das tarefas que desempenham, é também o nosso desiderato.

Contudo, ainda que vivamos num mundo em mudança, encontrando o nosso espaço profissional em zonas disruptivas, não podemos abandonar aquelas que há anos fazem parte da nossa essência e, nas quais, os farmacêuticos, pelas suas competências, assumem um papel e responsabilidade acrescida. O envelhecimento dos farmacêuticos nas análises clínicas é, por isso, um fator da nossa preocupação. Estando atentos a esta realidade, queremos contribuir para encontrar estratégias que levem os jovens farmacêuticos a encontrar um espaço de desenvolvimento nesta área profissional e, consequentemente, a um rejuvenescimento da própria área das análises clínicas.

A defesa das áreas assistenciais da profissão continuará a marcar a nossa ação.

Porque estamos convictos que é na proximidade daqueles para quem trabalhamos que reside a capacidade de transferir o nosso conhecimento diretamente para a sociedade. Por isso, por acreditarmos que a nossa presença e ação aporta um valor indissociável à sociedade, vamos lutar pela integração plena do farmacêutico em todos os níveis dos cuidados de saúde, acompanhando a evolução própria dos sistema de saúde português.

E, fá-lo-emos, em todo o território nacional.

Portugal atravessa uma forte crise demográfica, que assume duas vertentes, o envelhecimento da sua população e a desertificação do interior. Os farmacêuticos, pela sua dispersão por todo o território, assistem dia após dia a este fenómeno e não lhe são indiferentes. Como jovens, temos a responsabilidade de olhar para este tema e propor soluções e medidas. A curto, médio e longo prazo, nós seremos os únicos prejudicados. Desde logo, porque observamos assimetrias na prestação dos cuidados, porque as atividades empresariais que desenvolvemos deixam de ser sustentáveis, porque as populações se veem privadas de um dos mais fundamentais direitos, a proteção da sua saúde. Estamos conscientes que esta é uma realidade que teremos inevitavelmente de inverter. A vitalidade das próximas gerações depende da nossa capacidade de propor condições de vida condignas às gerações mais velhas, meritórias do desenvolvimento que aportaram à nossa geração. Por todas estas razões, vamos dizer presente e refletir seriamente este desafio, conscientes de que teremos a nossa parte a fazer para mudar esta dura realidade.

Estes são desafios que nos motivam para este mandato!

A força dos projetos não se mede apenas pela sua ambição, mas também, acima de tudo, pela determinação das pessoas que o integram.

Não podia estar mais certo de que me encontro perante uma equipa construída à medida deste desafio. Um conjunto de colegas, jovens profissionais, dedicados e ávidos para fazer crescer a APJF e os objetivos que nela revemos e que perante vós tive a honra de enunciar.

Juntos pelos Jovens Farmacêuticos, em prol da Sociedade.

Foi o mote que escolhemos para definir a nossa ação. Estamos convictos de que a sua concretização será o sucesso da nossa missão. Uma missão que será tão mais forte quanto maior for a sua capacidade de mobilizar a mais jovem profissão de saúde para os desafios que enfrenta, em conjunto com todos os intervenientes do setor farmacêutico e da saúde, a quem agradeço sinceramente estarem aqui connosco.

A vossa presença é sinónimo da relevância da ação da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos.

Um bem-haja a todos.”

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