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MENSAGEM DO PRESIDENTE

SARA
MARQUES

Lisboa, 16 de MARÇO de 2022

Discurso de Tomada de Posse dos Órgãos Sociais para o Biénio 2022-2024

É com muita honra que me dirijo a todos vós, enquanto presidente da Direção da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF), com a missão de valorizar os jovens farmacêuticos, pelo futuro da saúde em Portugal.

 

Muito recentemente, o Papa Francisco proferiu algumas palavras dirigidas aos mais jovens, a propósito do contexto das crises sucessivas que temos vindo a ultrapassar, em que apelava a que fossemos mais criativos, poetas e originais. Referia ainda que “as crises se superam juntos, não sós” e que “as crises nos põem à prova para sairmos melhores”.

Crenças à parte, foi uma mensagem à qual não podemos ficar indiferentes, iniciando uma reflexão sobre um passado que já não conseguimos alterar, mas também sobre um futuro que acreditamos que ainda é possível moldar, através de um esforço coletivo e combinado. Nós, os jovens, perante todas estas adversidades sucessivas continuamos a escolher a esperança, em vez do medo. A solução, em vez do problema. A imaginação, em vez da conformação. Talvez porque não tenhamos outra alternativa, se não o empenho e a dedicação por um mundo melhor, mas também porque desejamos viver de forma livre, mais sustentável e com um propósito.

 

De forma também criativa, poética e original, há 33 anos, um grupo de jovens farmacêuticos criou a APJF com a missão de sobrelevar o jovem farmacêutico na sociedade, em particular no setor da saúde. Estando o setor da saúde intrinsecamente associado ao resto da sociedade, também as crises têm sido cada vez mais complexas e urgentes da necessidade de implementação de propostas que providenciem um sistema de saúde mais sustentável e polivalente. Focados nas soluções, e não nos problemas, a APJF assume o compromisso de responder a esta oportunidade e, assumir uma intervenção ativa na construção de uma solução célere, sustentável e eficaz, que promova a evolução dos sistemas e um acesso mais rápido e equitativo aos cuidados de saúde para toda a sociedade.

Dando continuidade à missão de todos juntos, em prol da sociedade, a reflexão sobre o estado da arte da saúde em Portugal é necessária, para que as soluções vão de encontro às necessidades e às expectativas das próximas gerações.

Um dos temas que mais nos preocupa, é a evolução demográfica da população e as exigências em saúde daí decorrentes.

Se ao dia de hoje, já somos uma classe tão jovem a servir uma população sénior (1 em cada 4 portugueses tem mais de 65 anos), num futuro não tão longínquo, a tendência será uma população com uma pirâmide demográfica fortemente invertida.

É urgente a adoção de políticas em saúde que acompanhem esta tendência. Consideramos que é prioritária a implementação de um plano de intervenção que privilegie o hábito da prevenção em saúde, no que toca às doenças crónicas e mentais e também no empoderamento da pessoa que vive com a doença, através do investimento na literacia em saúde e a sua inclusão digital. Estamos perante uma oportunidade única de intervenção dos farmacêuticos, que através da sua ação, integrada nos diferentes níveis de cuidados de saúde, poderá ter uma contribuição crucial.

A atual pandemia e realidades próximas num futuro é também um dos temas críticos com o qual ainda nos deparamos e que mais carece de uma profunda reflexão.

A falta de planeamento e gestão afetou de forma imediata um sistema de saúde já anteriormente frágil. Felizmente os farmacêuticos estiveram sempre na linha da frente em colaboração com outros profissionais de saúde e prestadores de serviços na comunidade.

Graças aos farmacêuticos, a medicação nunca deixou de chegar aos cidadãos, quer através da dispensa de medicamentos de uso exclusivo hospitalar na farmácia comunitária, quer pela dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica a doentes que por inerência à realidade vivida, não conseguiam obter uma receita médica. Foi fundamental o papel dos farmacêuticos especialistas em análises clínicas na gestão da informação sobre os testes de diagnóstico à infeção pelo novo coronavírus e a intervenção dos farmacêuticos da distribuição que não deixaram de garantir as boas práticas de distribuição, mesmo com tantos desafios de capacidade. Também os farmacêuticos na indústria farmacêutica que apoiaram a investigação e o desenvolvimento de novos medicamentos, garantindo o abastecimento contínuo de produtos e medicamentos essenciais.

 

Aguardamos agora por um futuro, que não renuncie esta capacidade, pois a realidade que nos espera ainda será muito frágil e todos seremos poucos! O investimento num ecossistema de partilha de dados e informação crítica em saúde, também com todos os farmacêuticos e a garantia de um acesso universal a tecnologias de saúde e inovação, através da revisão dos contextos de dispensa, de comparticipação e acessibilidade a estas tecnologias pelos cidadãos, serão algumas das propostas que consideramos indispensáveis para promover a evolução do sistema de saúde.

Toda esta transformação e mudança, que acreditamos estar repleta de oportunidades, foi refletida e escrita, no já conhecido Livro Branco- A visão dos jovens farmacêuticos para a década. Um livro recheado de ideias e propostas, dirigidas a todos vós hoje aqui presentes: decisores políticos, entidades intervenientes do setor da saúde, académicos, farmacêuticos, outros profissionais de saúde, estudantes e associações de pessoas que vivem com doença, cidadãos individuais e sociedade civil.

 

Minhas senhoras e meus senhores, neste biénio de mandato que formalmente iniciamos hoje, o nosso compromisso para convosco será desafiar..

Desafiar o estado da arte, continuando esta reflexão explanada no Livro Branco, que é um excelente mote catalisador de discussões maiores e mais aprofundadas. Não podemos continuar da mesma forma, se esperamos ter resultados diferentes, e o resultado esperado de nós, enquanto profissionais de saúde, é exigente!

O nosso plano estratégico para este biénio, preserva a generosa herança recebida pela excelente equipa que hoje termina funções, e propõe um conjunto de ações, organizadas em 5 dimensões: a representação nacional e internacional, a formação e as saídas profissionais, a política, a comunicação e a gestão de sócios e parcerias. Deste modo, acreditamos que teremos estrutura e capacidade fundamentais à concretização do desafio, ao qual hoje aqui nos apresentamos.

A missão primordial da APJF é a defesa e desenvolvimento dos jovens farmacêuticos, que através da capacitação política e do debate de ideias, pretende ser a voz e representar uma classe motivada e com novas ideias para o setor. A iniciativa do Livro Branco foi uma das iniciativas mais impactantes desde a génese da APJF, sendo uma das nossas intenções divulgar e promover o livro junto das entidades e instituições de relevo do setor da saúde, através de reuniões, momentos de discussão e presença em fóruns e eventos nacionais e internacionais para o efeito. Tão importante quanto divulgar, será a implementação das diferentes propostas do Livro, que esperamos que também aconteçam graças à intercolaboração com todos os nossos parceiros.

O novo acesso à carreira farmacêutica, tendo sido um tema com o qual a APJF, desde a sua aprovação em março de 2020, sempre se preocupou em acompanhar de perto e esclarecer os mais jovens sobre a sua importância, continuará a ser uma matéria que acompanharemos de forma atenta e proativa, defendendo a importância da sua implementação para o Serviço Nacional de Saúde e para a população. Tendo em conta toda a evolução e transformação a acontecer, será ainda nossa intenção elaborar um estudo, em parceria com algumas entidades do setor relevantes para o efeito, que permita caracterizar quantitativamente e qualitativamente a camada jovem farmacêutica, bem como a sua evolução e relação com a profissão farmacêutica ao longo dos últimos anos.

Almejamos que todas estas iniciativas culminem na realização de um evento presencial que reúna todos os jovens farmacêuticos, personalidades do setor e sociedade civil, num momento formativo e refletivo, proporcionando um espaço para o debate de ideias e apresentação de projetos para a área da saúde. Será nosso objetivo organizar um evento disruptivo, que aproxime a classe farmacêutica das outras classes profissionais, não exclusivamente de saúde, com um painel de oradores inspiradores e um modelo de organização distinto, promovendo a criação de relações, a aprendizagem e o pensamento crítico, abrindo caminhos a novas formas de pensar e de trabalhar.

 

A nível internacional foram dados os primeiros passos nestes últimos 2 anos com a criação de um departamento focado na criação de pontes transfronteiriças, não só para conhecimento das boas práticas farmacêuticas internacionais, mas também para a cooperação com todos os colegas farmacêuticos espalhados pelo mundo. 

Atualmente, a APJF já é membro da Young Pharmacist Group network e foram vários os eventos e momentos de partilha nesta rede internacional. Pretendemos dar continuidade a esta parceria, que acreditamos ser importantíssima para o crescimento, influência e reconhecimento da APJF internacionalmente. Concomitantemente, daremos continuidade à colaboração com a Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa e demais associações setoriais internacionais, desenvolvendo projetos e iniciativas fundamentais e relevantes à valorização do jovem farmacêutico. 

Pretendemos também, se as condições pandémicas e globais assim o permitirem, participar no Congresso da Federação Internacional de Farmacêuticos em Sevilha. Graças à localização próxima do congresso, perspetivamos que esta participação não seja isolada. Intencionamos mobilizar uma delegação de jovens farmacêuticos a participar também neste congresso, através da criação de condições de participação especiais, promovendo assim momentos de convívio e troca de ideias e experiências. Em relação à comunidade de jovens farmacêuticos portugueses a trabalhar no estrangeiro, será objetivo nosso, monitorizar a sua situação profissional e interesses, promovendo momentos de desenvolvimento e aproximação entre os mesmos.

Pretendemos ainda divulgar e promover o inquérito, que foi realizado pela anterior direção e que permitiu à APJF reunir um conjunto de informações valiosas sobre a nossa diáspora. Um dos dados que mais nos surpreendeu, foi a maioria dos inquiridos ter apontado a valorização profissional e a progressão na carreira como preferenciais em comparação com a remuneração financeira. Conclusões importantes que em breve serão apresentadas num documento público.

 

A formação será uma das principais prioridades neste mandato. Jovens capacitados são jovens mais capazes e transformadores na sociedade. O Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas permite a entrada de um jovem farmacêutico no mercado de trabalho, mas não é suficiente e é importante compreendermos as lacunas e necessidades dos recém-formados que iniciam a sua carreira profissional nas diversas áreas de atuação do farmacêutico. Queremos debater a oferta formativa farmacêutica do MICF e pós mestrado. em conjunto com as instituições que ministram o MICF, com a OF, colégios de especialidades, APEF e outras instituições. A curto prazo, para colmatar algumas destas necessidades, promoveremos através de iniciativas próprias, e de colaboração com entidades relevantes na formação académica, a elaboração de um plano de formação forte e útil à realidade profissional atual. É também nosso objetivo promover momentos de contacto com o mercado de trabalho e possibilitar formação complementar e adequada ao momento profissional do jovem farmacêutico. Enquanto jovens profissionais de saúde, temos o dever de ser agentes de saúde pública e combater as notícias falsas e, por isso, pretendemos desenvolver a iniciativa polígrafo saúde, que combaterá a desinformação e reforçará o farmacêutico como veículo de literacia em saúde.

 

Todas estas propostas, não serão exequíveis, ou terão muito pouco impacto, sem uma estratégia de comunicação rigorosa e direcionada, não só para os jovens farmacêuticos, mas também para todos os nossos parceiros, entidades de saúde e sociedade civil. Será nossa intenção personalizar e direcionar a comunicação nos diferentes canais digitais, próprios da APJF, mas também promover todo o nosso trabalho externamente, com a divulgação nos canais habituais do universo da saúde e, quando pertinente e importante, apostaremos na assessoria de imprensa para maximizar a mensagem. Não queremos ter receio de mostrar as nossas capacidades e mais valias enquanto profissão, mas sim de forma despretensiosa, exteriorizar com mais frequência, as boas iniciativas que desenvolvemos e a mais-valia que somos para a sociedade, gerando mais confiança no enorme potencial que a profissão farmacêutica tem nas mais variadas áreas.

 

Por último, mas de todo, não menos importante, até porque é o projeto mais recente da APJF, a gestão de sócios e parcerias. A evolução da APJF nestes últimos anos tem sido muito positiva, tornando-se imperativo focar nestes 2 eixos estratégicos. Pretendemos garantir a estabilidade financeira e organizacional, através da criação de parcerias estratégicas que beneficiem a Associação e permitam a sua prosperidade.

 

 

É esta a nossa proposta, serão estes os nossos eixos orientadores. Ambicionamos uma APJF forte e agregadora das diferentes gerações de jovens farmacêuticos, reconhecendo sempre que será pela mobilização conjunta de toda a classe, que teremos sucesso na missão a que hoje aqui nos propomos.

 

Em especial, queremos deixar uma mensagem de intenção de colaboração, proximidade e parceria para com a Ordem dos Farmacêuticos, que muito nos horna estar aqui hoje presente, na pessoa do Senhor Bastonário Prof. Drº. Hélder Mota Filipe. A APJF enquanto organização juvenil socioprofissional com mais de trinta anos de história, é hoje representativa da juventude farmacêutica nacional e colabora com várias organizações de jovens profissionais da saúde e com a juventude em geral, nomeadamente o Conselho Nacional de Juventude, sendo reconhecida entre os seus pares. A existência da APJF na profissão é um ativo que deve ser apoiado e valorizado. É uma prova da capacidade que os farmacêuticos têm de se organizar colectivamente e de um empenho pioneiro na vida associativa profissional. Por isso, aceitamos o desafio e dizemos presente à colaboração com a Ordem dos Farmacêuticos na defesa e desenvolvimento da profissão! Este é um desígnio de todos e por isso queremos manifestar a nossa prontidão.

 

 

“A mudança não acontecerá se nós esperarmos por outra pessoa ou se esperarmos por algum outro momento. Nós somos as pessoas pelas quais esperávamos. Nós somos a mudança que buscamos."

 

Terminamos com uma mensagem de esperança e resiliência, do Barack Obama, um líder inspirador, para reiterar o nosso compromisso para com todos vós hoje.

 

Agradeço à minha equipa que comigo hoje inicia este desafio, pela coragem, dedicação e ousadia. Diana Jordão, Diana Oliveira, Francisca Morais, Inês Grazina, João Costa, João Dias, João Malhadeiro, Luísa Queirós, Márcia Franco e Renato Silva. Acredito que seremos criativos, poetas e originais para ultrapassar os desafios e fazer cumprir a nossa missão:

 

Valorizar os jovens farmacêuticos, pelo futuro da saúde em Portugal.

 

Contamos com todos! Muito Obrigada!

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